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Noticiário Geral

Aquecimento global aumenta a incidência de raios no Brasil

09/02/2010

 

Incidência de raios cresceu com o aquecimento global

Incidência de raios cresceu com o aquecimento global

 

 O Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou, nesta segunda-feira, 08/02, um estudo sobre o aumento da incidência de raios no Brasil. Um total de 132 pessoas morrem em média por ano no país devido a raios, um número muito superior ao que era registrado antes. O Inpe tem relacionado o aumento da incidência de raios às mudanças climáticas globais. O estudo reuniu pela primeira vez informações de diversos órgãos brasileiros como INPE/MCT, Departamento de Informações e Análise Epidemiológica (CGIAE) do Ministério da Saúde, Defesa Civil, veículos de imprensa e ainda dados de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  “Essas 132 mortes por raios por ano é um número que está muito acima das expectativas que tínhamos. O que mais impressiona é que 90% destas mortes ocorreram em circunstâncias que poderiam ter sido evitadas se as pessoas tivessem mais informações”, comenta o coordenador do ELAT, Osmar Pinto Junior.

As 1.321 pessoas que morreram atingidas por raios nesta última década têm em comum as atividades que praticavam quando foram atingidas pelas descargas atmosféricas. Um total de 19% das vítimas eram trabalhadores rurais que recolhiam animais ou trabalhavam em plantações com enxadas, pás e facões. A segunda circunstância mais comum foi estar próximo de meios de transportes, juntamente com pessoas que estavam dentro de casa, cada uma corresponde a 14% do total de casos. A categoria embaixo de árvore ficou em terceiro lugar com 12%, seguida por campo de futebol, com 10%.O estudo revela uma conclusão interessante: apesar de 85% das mortes terem ocorrido ao ar livre, quando estes dados são divididos em diferentes circunstâncias, a porcentagem de mortes para a categoria dentro de casa é muito maior do que o esperado. Este fato mostra que ficar dentro de casa não é tão seguro quanto se pensava. A maioria das vítimas atingidas por raios dentro de casa estava ao telefone, descalça em casas que possuem chão batido ou ainda próxima de antenas, lâmpadas, geladeiras, janelas e televisões.

 Em relação ao período do ano, 77% das mortes da década ocorreram no verão e na primavera, período do ano onde ocorrem cerca de 80% dos raios no Brasil. Somando os dados de toda a década é possível perceber um fato curioso, os cinco dias que tiveram mais mortes foram de 16 a 20 de fevereiro, com 47 mortes no total. Já o recorde de mortes em um único dia ocorreu em 5 de março de 2003, em que foram registradas 5 mortes. As vésperas do feriado de carnaval, vale avaliar se este é um período crítico para mortes por raios e a resposta é sim. Na última década, foram registradas 23 mortes por raios durante os quatro dias de folia.