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Kassab se esconde e PM de Serra agride alagados

09/02/2010

 

Policial espirra gás de pimenta em manifestantes que foram exigir solução para suas casas, alagadas há dois meses

Policial espirra gás de pimenta em manifestantes que foram exigir solução para suas casas, alagadas há dois meses - Foto: Rennato Testa

Foto de Rennato Testa  

Golpes de cassetetes e jatos de gás de pimenta. Foi essa a resposta dos governos José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) aos moradores da Zona Leste de São Paulo que foram à Prefeitura, ontem à tarde, reclamar dos alagamentos que atingem suas casas há exatos 60 dias. A PM agrediu populares, agrediu parlamentares e, ao fim do ataque, considerou que “felizmente, não houve uma ação letal”, ou seja, não matou ninguém.

    Já na chegada à frente da Prefeitura as famílias de alagados foram recepcionadas com spray de pimenta e com o recado do prefeito Kassab de que não poderia recebe-las.

     “Mais fácil sairmos da Zona Leste do que o prefeito descer o elevador para falar com a gente?”, questionou Jackson Camilo, morador do Jardim Pantanal.

     A resposta foi mais pimenta e mais cassetete. O deputado federal Carlos Zaratini (PT-SP) teve os olhos atingidos por spray de pimenta imediatamente depois que se identificou como parlamentar.

    O vereador José Ferreira dos Santos, o Zelão, também do PT,  foi agredido na cabeça e teve machucado o braço esquerdo.

    “Me acertaram duas pauladas. Queriam me acertar na cara, mas eu segurei”, contou depois de medicado no serviço médico da Câmara de Vereadores e voltar à manifestação com um curativo no braço.

    Moradora do Jardim Pantanal, Clarice Ferreira, de 25 anos, estava revoltada com a ação da PM.

    ”Estou com meu filho de 5 meses aqui e recebi gás de pimenta na cara. É um absurdo”. Ela também levou ao protesto uma filha de 9 anos. As duas vomitaram após o contato com a substância. 

    Um manifestante foi levado a um pronto-socorro com “falta de ar”. Jornalistas também foram atingidos pelo gás.

     “Houve um acirramento da tensão e nesse momento foi necessário dispersar os manifestantes. Felizmente, não houve uma ação letal”, afirmou o major PM Marcos Rangel Torres.   

      Depois da agressão, uma comissão de 20 moradores e alguns parlamentares foi recebida pelo secretário municipal de Relações Institucionais, Antonio Carlos Maluf. Na reunião, de cerca de uma hora e meia, ficou decidido que o prefeito Kassab vai ouvir a comissão sexta-feira.

Gás de pimenta e cassetetes. Foi este o presente que os moradores da Zona Leste de São Paulo receberam de presente do governo estadual e da Prefeitura nesta segunda-feira, 08/02, aniversário de dois meses do alagamento que toma conta de suas casas. As famílias – inclusive crianças – reuniram-se para protestar diante da sede da Prefeitura, no Viaduto do Chá, mas foram recebidos a cacetadas. Até parlamentares que os acompanhavam, apanharam. O deputado federal Carlos Zaratini (PT-SP) levou spray de pimenta nos olhos e o vereador José Ferreira dos Santos, o Zelão, também do PT,  foi agredido na cabeça e teve um braço machucado. Um manifestante foi levado a um pronto-socorro, com “falta de ar”. Jornalistas também foram atingidos pelo gás.

Ao final da operação, a Polícia Militar declarou que “felizmente, não houve uma ação letal”. Moradora do Jardim Pantanal, Clarice Ferreira, de 25 anos, estava revoltada com a ação da PM. “Estou com meu filho de cinco meses aqui e recebi gás de pimenta na cara. É um absurdo”. Ela também levou ao protesto uma filha de nove anos. As duas vomitaram após o contato com a substância. No final da tarde, os moradores foram para casa com a promessa de que serão recebidos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) na próxima sexta-feira, 12/02. 

“É uma vergonha a situação das famílias nessas inundações. E quando vêm à Prefeitura para reclamar, depois de 60 dias alagados, levam gás-pimenta e bombas de gás pela cara”, disse o deputado federal Ivan Valente (PSOL), que participava da manifestação. Outro político que acompanha o movimento dos alagados, vereador João Antonio (PT), disse que ficou indignado, mas não surpreendido com a repressão policial: “A reação de sempre dos tucanos. Para eles, todos os problemas sociais são caso de polícia”, afirmou.