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Governador do DEM é suspeito de comandar propinoduto que desviou R$ 60 milhões

28/11/2009

     Única unidade da federação governada pelo DEM, o Distrito Federal assistiu ontem à explosão de um escândalo que envolve o governador José Roberto Arruda, secretários de Estado, deputados distritais e empresários. Eles são suspeitos de fraudar licitações, celebrar contratos de informática e construir e operar um propinoduto desviando R$ 60 milhões dos cofres públicos do Distrito Federal.

   O escândalo se tornou público a partir das seis horas, quando a Polícia Federal e o Ministério Público iniciaram a Operação Caixa de Pandora para cumprir 29 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça.

     “O Superior Tribunal de Justiça autorizou operação de busca e apreensão (…) com o objetivo de coletar provas sobre suposta distribuição de recursos ilegais à base aliada do governo do Distrito Federal”, informou o STJ, em comunicado à imprensa.

Também em nota, a Polícia Federal revelou que investigações anteriores à operação de ontem lhe permitiram verificar “indícios de pagamento de recursos a altos servidores” do Governo do Distrito Federal, “por empresas que mantinham contrato com o Governo Distrital”.

     As investigações fazem parte de inquérito da PF e do Ministério Público, que contaram com ajuda decisiva de ninguém menos do que o secretário de Relações Institucionais do Governo Arruda, Durval Barbosa. Ele gravou um lote de fitas de video e audio, entre elas uma, no dia 21 de outubro, em que conversa com o governador Arruda sobre a partilha de R$ 400 mil a parlamentares aliados ao governo. Som e imagens dessa conversa estão anexados ao inquérito.

    Com base nas gravações, o STJ autorizou a operação de busca e apreensão em 21 gabinetes e residências em Brasília, dois locais em Belo Horizonte (MG) e um em Goiânia (GO). Além de documentos e equipamentos, os policiais e promotores mobilizados na operação apreenderam R$ 700 mil, mais 30.000 dólares e mais 5.000 euros.

    Em Brasília, eles recolheram documentos e/ou equipamentos num escritório anexo à residência oficial do governador; em gabinetes e/ou residências de José Luiz Vieira Valente, secretário de Educação do Distrito Federal; do chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel; do chefe de gabinete, Fábio Simão; do assessor de imprensa de Arruda, Omézio Pontes; de Domingos Lamoglia (ex-chefe de gabinete de Arruda e conselheiro do Tribunal de Contas nomeado pelo governador) e de Gilberto Lucena (empresário).

    Na Câmara Legislativa foram apreendidos documentos e/ou equipamentos nos gabinetes do presidente da Casa, Leonardo Prudente (DEM), da líder do governo, Eurides Britto (PMDB), do presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Rogério Ulysses (PSB), e do deputado Pedro do Ovo (PRP).

    Também houve busca e apreensão em quatro empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal e que seriam responsáveis por levantar os R$ 600 mil oferecidos pelo governador Arruda à base parlamentar: Adler, Infoeducacional, Linknet e Vertax. Elas repassariam o dinheiro ao governo, que o encaminharia à base governista.