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Economia

Redução da jornada fica fora da pauta de votações deste ano

20/11/2009

    A primeira reunião de parlamentares que representam o empresariado e os trabalhadores, promovida para discutir a proposta de emenda constitucional destinada a reduzir a jornada semanal de trabalho, terminou ontem com duas decisões: 1) o projeto não será votado neste ano pelo plenário da Câmara; 2) a negociação vai continuar.

     “O tamanho das divergências será resolvido durante a negociação. O mais importante é que a gente iniciou as negociações”, afirmou o deputado e ex-sindicalista Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), autor da proposta.
   O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), se mostrou disposto a negociar uma saída para a votação.
   “Há uma distância muito grande até o entendimento, mas vamos continuar discutindo”.
   Por enquanto, os empresários seguem sustentando o argumento de que a redução da jornada causará demissões e aumentará o custo da hora trabalhada e os preços dos produtos.

   “Se fosse possível criar emprego através de iniciativas legislativas, não haveria desemprego no mundo, porque qualquer parlamento teria interesse de garantir o pleno emprego por lei. O que gera emprego é investimento, educação”, alegou o presidente da CNI.

   As centrais sindicais continuam afirmando que a redução da jornada, de 44 para 40 horas semanais, aumentará a oferta de emprego e tornará mais eficientes os trabalhadores.

   “A redução da jornada de trabalho aumenta em menos de 2% os custos das empresas. Como a produtividade delas triplicou de 1988 para cá, ganharam muito dinheiro e podem arcar com a redução da jornada sem redução de salário, que vai gerar cerca de dois milhões de novos empregos”, argumentou o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva.

   Paulinho reafirmou, ao fim da reunião, que os sindicalistas aumentarão a pressão sobre os parlamentares e os empresários, a partir de janeiro.

   “As centrais sindicais estão combinando que a partir do dia 15 de janeiro vai acontecer uma série de paralisações, greves e manifestações. Os trabalhadores só voltam quando reduzirem a jornada. Vamos iniciar o ano com o pé no acelerador”.
   A próxima reunião de negociação está prevista para o início de dezembro.