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Políticas Públicas

Brasil reduz mortalidade infantil, desnutrição e morte por doenças do coração

20/11/2009

   A desnutrição crônica já não é mais uma epidemia nacional, a mortalidade infantil caiu vertiginosamente e já é possível considerar rara a morte de bebês por diarréias. Essas são algumas das principais conclusões do estudo Saúde Brasil 2008, realizado pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Panamericana da Saúde e as universidades federais de Brasília e da Bahia, e apresentado ontem. A pesquisa informa ainda que os brasileiros estão mais altos e mais gordos; que comem mais, mas nem sempre bem: a obesidade e as doenças a ela associadas, especialmente as diabetes e os problemas cardíacos, crescem e preocupam as autoridades, ainda que o número de pessoas mortas por enfarte e outras cardiopatias tenha diminuído nos últimos vinte anos.

   Segundo a coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não-transmissíveis do ministério, Deborah Malta, as políticas públicas adotadas nos últimos anos melhoraram a condição geral de saúde dos brasileiros.

   “Os investimentos na distribuição de renda, no saneamento e na melhoria da alimentação e nutrição foram determinantes para evoluirmos no combate a problemas como a desnutrição e a mortalidade infantil”.  

   Mas o estudo demonstra também que as desigualdades persistem e ainda penalizam especialmente as populações do Norte e Nordeste. Os esforços do governo conseguiram baixar significativamente as taxas de mortalidade infantil nas duas regiões, mas elas ainda estão distantes da meta do milênio – reduzir a 15 o número de mortos em cada grupo de mil crianças de até um ano de idade – e devem continuar sendo alvo de políticas específicas, como o Pacto para a Redução de Mortalidade Infantil no Nordeste e na Amazônia Legal. O Pacto investirá, só em 2009, R$ 110 milhões em 256 municípios eleitos como prioritários.

Leia outras informações do Brasil Saúde 2008

1)    Mortalidade infantil

   A taxa de mortalidade infantil, que em 1990 era de 47,1 para cada grupo de mil crianças menores de um ano, caiu para 19,3, em 2007. O número de mortos por diarreias diminuiu 93,9%; por doenças imunizáveis, como sarampo e poliomilelite, 97,2%; e por desnutrição e anemias nutricionais, 89,2%. Problemas decorrentes de falta de diagnóstico precoce no pré-natal foram as causas de óbitos com menor redução – apenas 2,9%.

   O estudo aponta como causas da redução da mortalidade infantil as melhorias gerais da condição de vida, a melhoria do nível de educação materna, o trabalho das equipes de Saúde da Família, além do maior acesso da população à água tratada, ao saneamento e aos serviços de saúde.

2)    Desnutrição

   Em 1996, 13,4% das crianças com menos de cinco anos eram desnutridas. Em 2006, i índice caiu para 6,7% – exatamente a metade.

   Por conta da melhor alimentação, a população brasileira está mais alta, especialmente a da faixa etária de até 5 anos. Os adolescentes (10 a 19 anos) apresentam menor déficit de crescimento – uma das conseqüências da desnutrição na infância. A redução deste déficit foi de 66% entre os meninos e de 75% entre as meninas.

   A estatura média das brasileiras adultas é de 1,58m e a dos brasileiros 1,70m, respectivamente 3,3cm e 1,9cm maiores do que há 14 anos.

   O estudo atribui este resultado ao maior acesso à alimentação, ao aumento da renda das famílias, à expansão da rede de atendimento dos serviços públicos de saúde e ao aumento de escolaridade das mães.

3)    Doenças cardiovasculares

   Em 2006, 302.682 brasileiros morreram por doenças do aparelho circulatório, o que correspondeu a 29,4% do total de óbitos. Apesar de constituírem a principal causa de morte no país, os enfartes e outras cardiopatias são 20,5% menos fatais hoje (149,4 óbitos por grupo de 100 mil habitantes) do que eram em 1990 (187,9/100 mil). Mas cresceu o número de diabéticos, no período, de 16,3 por 100 mil habitantes para 24 por 100 mil, uma conseqüência direta da obesidade.

   A redução da mortalidade, segundo o estudo, deve-se à melhora na cobertura da assistência de saúde, mais tecnologia para diagnósticos e tratamentos mais eficientes, além das ações de saúde voltadas para melhoria dos hábitos de vida e de redução do tabagismo.

4)    Causas violentas

   A terceira maior causa de morte no país, em 2006, foi a violência. Vitimou 128.255 pessoas naquele ano.