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Economia

Atividade industrial cresceu menos em junho

29/07/2010

     O ritmo de crescimento da atividade industrial foi menor em junho do que em maio, sobretudo nas micro e pequenas empresas, informou ontem a Confederação Nacional da Indústria.

     A sondagem de junho, diz a CNI, indica que a economia continuará crescendo nos próximos meses, embora menos aceleradamente do que cresceu no primeiro trimestre deste ano. Ao contrário do que previa o Banco Central, observa a entidade, não há superaquecimento da economia. 

    “Isso não está acontecendo, obviamente, pela retirada dos estímulos de demanda”, explicou o gerente executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, referindo-se ao fim de alguns incentivos fiscais que o governo havia concedido para estimular a produção e o consumo e atenuar os efeitos internos da crise financeira internacional.

    Na avaliação de Fonseca, a retirada de incentivos criou uma espécie de resfriamento da indústria, por conta da queda na demanda. Ele aponta ainda como agravantes a queda das exportações e a intensa entrada de produtos importados que competem com a produção doméstica.

    Para a CNI, a redução do ritmo da atividade industrial recomenda cautela ao Banco Central nas próximas decisões sobre a taxa básica de juros.

   “A política de juros foi instituída para reduzir a demanda, por conta do receio de uma demanda muito aquecida. Mas essa política acaba afetando diretamente os investimentos e, sem investimentos, não há oferta”, observou o analista da CNI.

 

CONFIANÇA

    Ao mesmo tempo em que a confederação registrou redução no ritmo de crescimento da atividade do setor, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas identificou queda no Índice de Confiança da Indústria no mês de julho, em comparação a junho. Foi o segundo mês consecutivo em que o índice caiu.

    O superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do instituto, Aloísio Campelo, diz que a queda foi puxada pelo segmento de bens duráveis.

    “A queda, principalmente no setor de bens duráveis, se deve a uma acomodação do setor provocada pela antecipação das compras pelo consumidor. Nos outros setores observamos esse ajuste, mas de forma menos intensa. O de bens duráveis ainda exerce influência nos demais setores, arrefecendo o ânimo daqueles que, de alguma forma, estão ligados ao segmento”.

     Campelo estima crescimento moderado das expectativas para o fim do ano.

    “Há incertezas no momento. Alguns segmentos estão muito fortes, mas outros ainda preferem ter cautela na formação de estoques”.

    A pesquisa do Ibre indica também que diminuiu um pouco a intenção dos industriais de ampliar o quadro de trabalhadores.

     “Mesmo não contratando tanto, isso não quer dizer que haja demissão. Pelo menos 29% dos industriais entrevistados disseram que pretendem contratar, enquanto 8% dizem que demitirão”, afirmou Aloísio Campelo baseado em entrevistas com representantes de 1.147 empresas que faturam R$ 603 bilhões e empregam 1.254 trabalhadores.

     Para o Ministério da Fazenda, todos esses e outros indicadores apontam agora a necessidade de monitorar as condições da economia para que o crescimento não fique abaixo do previsto para este ano.