-

Brasília Confidencial

BUSCA

Políticas Públicas

MEC valoriza profissionais que aprenderam fora das escolas

10/03/2010

LÚCIA LEÃO

  Começou ontem, no Instituto Federal de Brasília, o primeiro curso da Rede Nacional de Certificação Profissional e Formação Inicial Continuada, criada pelo MEC no fim do ano passado para qualificar, avaliar e fornecer certificados a trabalhadores que aprenderam uma profissão na prática do dia-a-dia, à margem da educação formal. Uma turma de 40 trabalhadores, a maioria operários da construção civil, fará o curso de sondagem de solo e fundações, que terá seis meses de aulas teóricas e práticas. Ao final eles receberão certificados.

    José Raimundo, de 38 anos, é um dos alunos da turma e volta à sala de aula pela primeira vez desde que concluiu o sexto ano do ensino básico, ainda criança, no Piauí. E volta para estudar o que mais sabe. Desde que chegou a Brasília, há 23 anos, é operário de construção e se especializou em trabalhar com fundações. Hoje sabe avaliar um terreno e, mesmo dominando apenas os princípios básicos da matemática, calcula a profundidade que ele deve ser escavado e a quantidade de ferro e pedra necessários para dar segurança a cada obra. Mas não tem nenhum documento que ateste esse conhecimento.

   “Hoje não basta saber. Ter um certificado também é muito importante. Se eu saio da empresa que trabalho, onde todo mundo me conhece, como eu vou arrumar outro emprego sem poder provar o que eu sei fazer. E também, com um papel, a gente sempre pode ganhar mais”, explica José Raimundo.

   Mas se fosse só pelo papel o operário piauiense poderia, com o conhecimento que já tem, optar por ser avaliado por uma banca de professores do Instituto Federal e receber o certificado dos seus saberes adquiridos de maneira não-formal. Mas, como todo este primeiro grupo de trabalhadores que inaugura o novo projeto do MEC, preferiu fazer o curso e melhorar sua qualificação, especialmente para conhecer novas tecnologias e maquinários.

   “O projeto prevê três situações. A primeira é a simples avaliação e certificação dos saberes adquiridos na prática profissional. Neste caso nós só agregamos informações sobre segurança no trabalho, saúde do trabalhador e direitos trabalhistas. A segunda é a realização desses cursos de qualificação, onde vamos oferecer os conhecimentos que o mercado de trabalho precisa. Na sequência do que chamamos de itinerário formativo vamos encaminhar quem estiver interessado para completar o ensino formal, desde a educação básica até cursos superiores de tecnologia. A meta do programa é articular aprendizado adquirido na prática pelo trabalhador com a melhoria da sua qualificação e a elevação da escolaridade”, explica o pró-reitor de pesquisa e inovação do Instituto Federal de Brasília, Wilson Conciani.

   Nos próximos meses, o Instituto oferecerá provas de certificação e mais mil vagas para cursos de qualificação em outras especialidades da construção civil e também nas áreas de cerimonial e eventos, vendas e controle de estoques.